Por AFP
As tarifas alfandegárias introduzidas pelo presidente americano, Donald Trump, elevam o risco de desemprego e provavelmente vão aumentar a inflação, assim como provocar uma desaceleração no crescimento nos Estados Unidos, declarou, nesta sexta-feira (4), Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, o banco central americano.
“Agora está ficando claro que os aumentos de tarifas serão significativamente maiores do que o previsto”, assinalou Powell, em uma declaração por escrito, durante um evento em Arlington, na Virgínia.
“É provável que o mesmo ocorra com os efeitos econômicos, que vão incluir uma inflação maior e uma desaceleração do crescimento”, afirmou, acrescentando que é “cedo demais” para considerar mudanças na política monetária americana.
No começo desta semana, o anúncio de Trump de um ‘tarifaço’ contra seus principais parceiros comerciais sacudiu os mercados globais.
Os investidores enfrentam a perspectiva de custos de importação significativamente maiores em todo tipo de produtos, de sapatos a camarões.
As medidas, maiores que o esperado, se somam às tarifas específicas para cada país, o que significa que a China, por exemplo, agora será taxada em 54%.
Outros parceiros comerciais importantes dos Estados Unidos também enfrentarão tarifas mais elevadas: a União Europeia será taxada em 20% a partir de 9 de abril, a Índia, em 26%.
O governo Trump também pôs na mira setores específicos da economia, aplicando recentemente uma tarifa de 25% aos automóveis fabricados fora dos Estados Unidos.
Powell estimou nesta sexta-feira que a incerteza na economia diminuirá nos próximos meses.
“Dentro de um ano a incerteza será muito menor. Os efeitos dessas políticas poderão ser percebidos claramente”, disse.
A Bolsa de Nova York, que nesta sexta abriu em baixa pelo segundo dia consecutivo, reagiu às declarações de Powell com quedas maiores.
Por volta das 17h GMT (14h de Brasília), o índice S&P 500 recuava 4,6%.
Trump pede cortes dos juros, apesar de tarifas
Os comentários de Powell sugerem que o Federal Reserve não tem pressa para reduzir sua taxa de juros de referência da elevada faixa atual, entre 4,25% e 4,50%, enquanto continua com os esforços para baixar a inflação para a meta de longo prazo de 2%.
Nos últimos meses, os Estados unidos consolidaram seu crescimento econômico e a taxa de desemprego se manteve perto de mínimos históricos.
Diante destes dados, o Fed votou no mês passado por estender a pausa nos cortes dos juros e assinalou que queria ver como as políticas do novo governo vão impactar a economia antes de adotar medidas.
No entanto, dirigentes políticos e agora Powell alertam que as tarifas alfandegárias poderiam provocar um aumento dos preços e que a magnitude deste aumento provavelmente será determinada pela implementação das tarifas e a resposta de consumidores e empresas.
Antes do discurso de Powell, nesta sexta, Trump recorreu à sua rede, Truth Social, para insistir em que sua política não mudaria apesar da reação do mercado, e pediu para Powell agir.
“Este seria o momento PERFEITO para o presidente do Fed, Jerome Powell, baixar as Taxas de Juros. Ele sempre está ‘atrasado’, mas agora poderia mudar esta imagem, e rapidamente”, postou Trump, momentos antes do discurso de Powell.
“Baixe as taxas de juros, Jerome, e pare de fazer política”, acrescentou Trump, que nomeou Powell para chefiar o Fed antes de se voltar contra ele durante seu primeiro mandato.
Durante o evento na Virgínia, Powell disse estar decidido a concluir seu mandato no comando do Fed, que termina no próximo ano.
“Estou totalmente decidido a cumprir todo o meu mandato”, afirmou Powell, depois de Trump instá-lo publicamente a baixar os juros.
Fonte: ICL Notícias