Prédios em Mianmar continuam a desabar cinco dias após um forte terremoto atingir o país, criando condições perigosas para os socorristas enquanto tentam retirar sobreviventes dos escombros.
Mais de 2.700 pessoas morreram no terremoto de magnitude 7,7, que deixou milhares de feridos, segundo a junta militar de Mianmar. Centenas de outras pessoas continuam desaparecidas, o que significa que o número de mortos quase certamente aumentará.
O Departamento de Bombeiros de Mianmar compartilhou nesta quarta-feira (2) um vídeo de um momento emocionante na capital, Naipidau, onde trabalhadores retiraram um homem dos escombros mais de 100 horas após o terremoto, um resgate milagroso que ofereceu um momento de esperança.
O homem parecia cansado e desgrenhado enquanto era retirado de uma bolsa de ar entre lajes quebradas de concreto, sob uma salva de palmas.
Um dia antes, uma mulher de 62 anos foi retirada semelhantemente de lajes quebradas de concreto na cidade.
Em outro lugar, uma equipe de socorristas chineses retirou quatro pessoas na segunda-feira (31) — incluindo uma criança de cinco anos e uma mulher grávida — dos escombros.
Edifícios danificados e mais mortes
Prédios estruturalmente vulneráveis no país continuam desabando enquanto os tremores persistem, conforme organizações de direitos humanos, destacando os perigos da missão de resgate.
Dois hotéis desabaram na segunda-feira à noite perto do epicentro em Mandalay, a segunda cidade mais populosa do país, depois que as pessoas voltaram às estruturas dias após o terremoto.
“Com esses tremores adicionais, fatalidades continuam ocorrendo”, informou Michael Dunford, diretor de Mianmar no Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas.
Ele continuou relatando que, “muitas pessoas ainda dormem ao relento nas ruas ou nos parques porque estão com muito medo de voltar para suas casas. E, claro, isso está dificultando nossos esforços para alcançá-las e fornecer o tipo de suporte de que precisam.”
Ajuda humanitária urgente
As organizações humanitárias continuam a enfatizar a necessidade de ajuda urgente, especialmente para áreas mais remotas do país.
Mesmo antes do terremoto, quatro anos de guerra civil deixaram milhões sem abrigo adequado e prejudicaram a infraestrutura de saúde e comunicação.
Na cidade de Sagaing, perto do epicentro do terremoto, os moradores descreveram cenas de desgosto e desespero enquanto esperam por suprimentos médicos urgentes e alimentos.
O grupo de direitos humanos Anistia Internacional falou com três moradores, que afirmaram haver uma necessidade crescente de sacos para cadáveres, tochas e bobinas repelentes de mosquitos.
Eles também disseram ao grupo que os militares, que controlam amplamente a cidade, estavam impondo “vigilância rigorosa” para veículos leves viajando de Mandalay para Sagaing.
“Os soldados estão inspecionando as entregas, e as verificações podem demorar mais se vierem de outras áreas em Sagaing que tenham mais conexões com grupos de resistência”, explicou a Anistia.
País governado por militares
A junta governante tomou o poder do governo democraticamente eleito de Mianmar em 2021, desencadeando uma guerra civil brutal entre grupos rebeldes étnicos e seus militares.
Enquanto a junta reafirmou seu compromisso de permitir assistência, grupos de direitos humanos criticaram os líderes de Mianmar por restringir o acesso a algumas áreas afetadas.
“A junta precisa romper com sua prática passada terrível e garantir que a ajuda humanitária chegue rapidamente àqueles cujas vidas estão em risco em áreas afetadas pelo terremoto”, disse o vice-diretor da Ásia na Human Rights Watch, Bryony Lau.
A Anistia Internacional pediu na terça-feira (1º) que os militares de Mianmar “se abstenham de ataques aéreos deliberados e outras formas de ataque a alvos civis” em áreas atingidas pelo terremoto.
Enquanto isso, uma grande aliança rebelde em Mianmar declarou um cessar-fogo temporário para facilitar os esforços de resgate.
“Desejamos fortemente que esforços humanitários urgentes, os quais são imediatamente necessários para a população afetada pelo terremoto, sejam realizados o mais rápida e efetivamente possível”, declarou a Three Brotherhood Alliance em uma declaração conjunta na terça-feira.
A aliança envolve o Exército de Libertação Nacional Ta’ang, o Exército da Aliança Democrática Nacional de Mianmar de Kokang e o Exército Arakan.
O porta-voz da junta de Mianmar disse nesta quarta-feira (2) que os militares dispararam três tiros para o ar como um aviso a um comboio da Cruz Vermelha Chinesa que entregava ajuda em uma área onde os militares e os grupos rebeldes “estão envolvidos em combates”.
O terremoto devastador de sexta-feira (28) foi sentido em toda a Tailândia, onde pelo menos 22 pessoas morreram na capital Bangkok.
Desse número, 15 pessoas morreram depois que um prédio alto em construção desabou, disseram autoridades.
Fonte: CNN Brasil